Em primeiro lugar, é importante dar uma noção do conceito de virtual e real, apesar de hoje em dia ser difícil fazer essa distinção. O virtual será algo que “existe em efeito”, “algo que é tão próximo da verdade que para a maioria dos propósitos, pode ser considerado como tal”, no fundo “algo cuja existência só pode ser inferida por uma evidência indirecta”. O real por sua vez, é algo que existe, é “palpável”, possível e objectivo.
Nas interacções online esta distinção muitas vezes não é feita, por um lado, isto deve-se às redes sociais e á forma como é possível interagir com os outros através das mesmas; por outro, o ciberespaço oferece-se um “palco” onde podemos representar personagens, estas são uma espécie de self-ideal, ambicionada pela pessoa que permite a vivência de emoções e de uma realidade fictícia. Estas personagens podem ser vividas aqui, pois o outro não saberá o que somos na realidade se soubermos interpretar esse papel. A comunicação mediada por meios electrónicos, não sendo tão rica como a comunicação face-a-face (algo que nos dias de hoje já poderá ser posto em causa, devido ao desenvolvimento tecnológico), possibilita estas “interpretações de papéis” pois, é mais fácil comunicar e fazer sobressair características positivas de “si próprio” quando esta comunicação não é presencial, pois não estamos preocupados com a comunicação não verbal, ou seja, criar empatia com o outro através de expressões faciais, tom de voz, gestos, postura, etc.
Estes processos que ocorrem no “online” começam a ser vividos literalmente pelo individuo… Este acredita na personagem que criou, chega a “viver” como essa personagem e a experienciar sensações novas que o agradam e incentivam a continuar. Um exemplo é o caso referido por Sandy Stone. Esta vivência de papéis nem sempre é boa… O indivíduo começa a viver uma realidade que não lhe pertence, acostumando-se á mesma e fazendo com que, os que com ele interagem acreditem e criem laços com uma pessoa “imaginada”.
Outra reflexão importante, neste contexto, prende-se com a questão do público e privado. Ao partilhar informações na internet, estas podem ser vistas por muitas outras pessoas perdendo-se a privacidade e correndo-se riscos de utilização indevida dessa mesma informação. Ao mesmo tempo, criam-se oportunidades e laços através dessa partilha.
O ciberespaço permite o estabelecimento de comunicação com pessoas que se encontrem a milhares de quilómetros de distância, bem como o seu “encontro”. A internet veio quebrar fronteiras reais e encurtar distâncias, ao mesmo tempo que diminui a proximidade física entre os indivíduos. Esta proximidade física pode ser percebida como o grau de presença social, isto é, o grau com que uma pessoa é percepcionada como “real e presente” numa dada comunicação – Teoria da Presença Social (Short et al. 1976).
Todas estas alterações no processo relacional têm vantagens e desvantagens, no entanto cabe a cada um medir o seu peso e optar por aquilo que o satisfaz de melhor forma. A comunicação mediada por computador não pode ser vista apenas de uma forma positiva, há que reflectir sobre as suas consequências. Hoje em dia, já muita coisa é possível neste tipo de comunicação e nunca se sabe até que ponto poderá evoluir!
Vanessa Duarte
Referências bibliográficas:
· Levy,P. (2001) – O que é o virtual? Lisboa: Quarteto Editora.
· Turkle,S. (1997). A vida no Ecrã. A identidade na era da Internet. Lisboa: Relógio d´Água.
· Quintas. Mendes, A.; Morgado, L. (2009).Comunicação mediada por computador e educação online: da distância á proximidade. Actas do 7º SENAED, Seminário Nacional ABED de Educação á Distância (23-31 Maio 2009). Disponível em http://distanciaproximidade.wikispaces.com (acedido em 04-07-2001)